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Como os dados aceleram a transformação digital no setor público

A transformação digital está ganhando força nos processos e estratégias de empresas do mundo todo, com destaque para a esfera privada. A revolução digital, no entanto, já atinge também o setor público com diversos benefícios e incentivos à inovação. Dentre os aspectos mais em alta dentro da transformação digital está a análise de dados.


Entende-se que a tecnologia e a aceleração da digitalização de processos provocada pela pandemia forçou o setor público a se adequar a uma nova realidade. Com o uso de dados para criação de políticas públicas e cuidados com a população, percebe-se que o investimento e conhecimento do setor cresceu significativamente. Um exemplo dessa prática é o uso de visualizações feitas em Power BI para acompanhar os casos da COVID-19 e, posteriormente, a evolução da vacinação nos municípios.

No entanto, as estratégias de dados utilizadas pelo setor público ainda convergem no mesmo erro: sua grande abrangência. É necessário, ainda, que seja definida uma aspiração estratégica para guiar as operações e investimentos de forma eficiente. Esse objetivo deve ajudar a promover a missão da organização, além de ser apoiada pelo líder.


Passo a passo para analisar a implantação de dados no setor público


O primeiro passo é reconhecer quais atividades e processos são relevantes para a instituição. Podem ser testes, gerenciamento de fornecedores, análise de dados, etc. A partir disso, é necessário identificar quais são os domínios de dados relevantes que possam suportar essas atividades e processos.


Em segundo lugar, elabore uma lista com possíveis usos de dados que seriam interessantes para os processos e atividades. Essa etapa pode ser facilitada com o uso de perguntas direcionadas. Exemplificando para um caso de falhas de peças de máquinas, a empresa pode se perguntar: “Como podemos detectar falhas de peças em dados operacionais?”; a seguir, “Como podemos prever falhas de peças?”; e, finalmente, "Qual é a melhor ação a tomar quando prevemos falha de peças?”. Cada uma das perguntas feitas nessa etapa ajudam a organizar recursos humanos e financeiros de forma mais efetiva.

Terceiro, priorize os casos de usos que podem gerar potencialmente mais resultados a partir da seguinte lógica:

  1. Impacto: o valor que pode ser capturado em relação à aspiração e ao momento;

  2. Viabilidade: a capacidade da organização de executar essa utilização de dados;

  3. Amplificação: até que ponto essas aplicações podem ser aprimoradas e expandidas.

Por fim, sequencie esses casos de uso em um roteiro. Isso ajudará a organizar com base em sua força coletiva – eles nunca devem se basear em impacto.


Como os dados funcionam no setor público na prática?


A partir do passo a passo dado anteriormente, vamos trazer um exemplo prático de como podemos aplicar os dados. Suponhamos que a Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade (SEPEC) esteja buscando melhorias na implementação de políticas públicas para microempreendedores do país. Antes de qualquer mudança impulsiva, é importante analisar o que os dados dizem para que as políticas públicas sejam baseadas em evidências.


Dessa forma, o primeiro passo é analisar quais atividades são importantes para que a implementação aconteça. Podemos definir, por exemplo, que a análise de dados é imprescindível para essa mudança e que a melhor maneira de acompanhar isso é a partir de informações municipais, estaduais e federais a respeito do número de microempreendedores, setor de atuação e qual o nível de maturidade.


A partir disso, levantamos as seguintes hipóteses que podem auxiliar na implantação de dados: “Como podemos incentivar as políticas públicas para microempreendedores?”, o que nos leva a pensar em “Como podemos gerar adesão dos empreendedores nessas políticas públicas?” e, por fim, “Qual a melhor diretriz para divulgar essas políticas públicas?”.


Por fim, as respostas obtidas a partir dessas questões podem ser, por exemplo, com o mapeamento de potencial de setor no município versus o número de startups por município daquele setor em destaque. Ou, ainda, a partir de campanhas de comunicação criadas a partir de IA (Inteligência Artificial) focadas em divulgar ações públicas que possam interessar ao empreendedor com base em seu crescimento. Das infinitas possibilidades de soluções, é interessante organizá-las de forma com que leve-se em consideração o impacto dessa análise, a viabilidade em termos de recursos, e a probabilidade de expandir essas ações.


Os impactos da transformação digital na esfera pública


1. Automação de processos

A partir da digitalização e automação de processos, é possível impactar diretamente na agilidade de produtividade para executar tarefas.


2. Uso eficiente dos dados

As soluções digitais podem oferecer uma melhor gestão da quantidade de gastos coletados. Além de promover decisões orientadas a dados, elas também facilitam a integração dos dados de diferentes órgãos.


3. Mais transparência

Para seguir conformidade com a Lei Nº 12.527/2011, mais conhecida como Lei da Transparência, o acesso aos dados por meio de visualizações e gráficos alimentados orgânica e digitalmente torna o processo mais ágil e simples.


4. Melhor controle dos processos

Com os dados disponíveis em plataformas online e geridas por dados, torna-se mais fácil acessá-los e monitorar o andamento de cada processo individualmente.


5. Aperfeiçoamento de serviços

Gerenciar os processos por meio de uma plataforma guiada por dados facilita a execução de diferentes serviços. Além disso, a medida também favorece que o orçamento seja sempre mantido dentro do esperado e que pontos de melhoria possam ser percebidos.


6. Redução de custos

A partir da transformação digital, espera-se que haja diminuição de materiais e otimização de processos. Esses dois fatores impactam na produtividade do servidor e, consequentemente, abrem espaço para novos investimentos.